Você sabe o que é Síndrome de Guillain-Barré?
- az2acesso
- 15 de jan.
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A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia caracterizada por inflamação e desmielinização dos nervos periféricos e craniais, provavelmente secundária a processo mediado imunologicamente contra antígenos mielínicos, caracterizada clinicamente por paralisia flácida aguda, arreflexia, fraqueza muscular e alterações sensoriais.
Estudos eletrofisiológicos e patológicos têm dividido a SGB em 2 padrões:
· Predominantemente desmielinizante (polirradiculoneurite desmielinizante inflamatória aguda - PDIA)
· Predominantemente axonal (neuropatia axonal motora aguda - NAMA).
As lesões fisiopatológicas predominantes resultam da infiltração multifocal da bainha de mielina por células inflamatórias mononucleares ou da destruição da bainha de mielina mediada por anticorpos autoimunes.
Segundo Tavares et al. (2000), a SGB é uma patologia que ocorre em todo mundo, em qualquer época do ano, afetando adultos e crianças, homens e mulheres, independente da classe social e hábitos de vida.
Casos: 2-4/100.000 habitantes (anual)
Maioria dos casos em homens 3:1
Idade: 6-10, 20-30 e 50 anos
Mortalidade: 5%
· A SGB é definida como uma patologia de natureza autoimune.
· Aguirre et al. (2003) encontraram em cerca de 90% dos casos diagnosticados com SGB a presença de anticorpos contra gangliosídeos (GM1a, GQ1b, GT1a). Vários estudos de acordo com Tavares et al. (2000) demonstram que a maioria dos doentes com SGB possui níveis séricos elevados do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), uma citocina altamente tóxica para a bainha de mielina e célula de Schuwan.
Os estudos mostram que mais de 60% dos pacientes com SGB sofreram algum tipo de infecção nas semanas que antecederam o início da síndrome. Entre os agentes infecciosos mais comuns que precedem a SGB, foram encontrados: Citomegalovírus, Campylobacter jejuni, Epstein-Barr vírus, entre outros. Nesses casos, a SGB normalmente ocorre 1 a 3 semanas após o evento infeccioso.
Para Quintero e Boza (1999), várias são as patologias que antecedem a SGB, existindo na metade dos casos relatados, infecção respiratória ou gastrointestinal nas quatro semanas antecedentes ao início dos sintomas neurológicos da síndrome.
Diagnóstico
• Critérios Requeridos: existência de debilidade progressiva nas extremidades e arreflexia.
• Critérios que Apoiam o Diagnóstico Clínico: existência de progressão; simetria relativa; sintomas sensitivos (alterações sensoriais leves); comprometimento de pares de nervos cranianos, incluindo o facial; recuperação que começa de duas a quatro semanas após detenção da progressão; disfunção autonômica e ausência de febre uma vez instalada a síndrome.
• Critérios Baseados nos Achados do Líquido Cefalorraquidiano/Líquor (LCR): ocorrência de elevação proteica após a primeira semana do início
dos sintomas e contagem de células mononucleares inferior a 10/mm3.
• Critérios Eletrofisiológicos: ocorrência de anormalidade nas velocidades de condução nervosa; bloqueios na condução nervosa; latências distais prolongadas e alterações nas ondas F; nas NMAA, diminuição nas amplitudes dos PAMC (potenciais de ação musculares compostos) sem evidência de desmielinização.
• Critérios que Fazem o Diagnóstico Duvidoso: debilidade assimétrica persistente; disfunção esfincteriana persistente; disfunção esfincteriana no início da enfermidade; contagem de leucócitos mononucleares no LCR superior a 50/ mm3; presença de leucócitos polimorfonucleares no LCR; nível sensitivo bem definido.
• Achados que Excluem o Diagnóstico: diagnóstico de botulismo; miastenia; poliomielite ou neuropatia tóxica; metabolismo alterado das porfirinas; difteria recente e síndrome sensorial pura sem fadiga.
• Exame de Sangue: incluí bioquímica básica, hemograma, CK (creatinafosfoquinase), VHS (velocidade de hemossedimentação), prova de função hepática e proteínas de fase aguda. Observa-se, através da realização dos exames, que as enzimas hepáticas encontram-se elevadas no momento da admissão hospitalar em um terço dos pacientes com SGB, geralmente vindo a se normalizar nas primeiras semanas, podendo também ser verificado através do hemograma a ocorrência de leucocitose
• Exames Imunológicos: pesquisa sérica de anticorpos anti-gangliosídeo, sendo encontrado em 25% dos pacientes, anticorpo anti-gangliosídeo GM1, realizando também a pesquisa de anticorpos contra agentes patogênicos específicos.
• Exame do Líquor: geralmente o LCR apresenta-se com pressão normal, celularidade sem alterações e proteínas aumentadas, caracterizando a dissociação albumino-citológica, que é característica da SGB. Os picos de elevação proteica se dão de quatro a seis semanas do início dos sintomas, sendo provavelmente um reflexo do processo inflamatório ao nível de raízes nervosas com ruptura da barreira hemato-encefálica; em cerca de 12% dos pacientes, no entanto, pode haver uma discreta elevação na contagem de leucócitos.
• Estudos Neurofisiológicos: revelam dentro das duas primeiras semanas de instalação da síndrome: 69% de ocorrência de desmielinização; 3% de acometimento axonal; 3% de inexcitabilidade nervosa e 22% de resultados inconclusivos, podendo cerca de 3% dos pacientes apresentarem neurofisiologia sem alterações. Estes testes de condução nervosa fazem-se importantes para o prognóstico da patologia, visto uma baixa amplitude no potencial evocado motor distal, bem como uma eletrofisiologia detectando desnervação serem indicativos de mau prognóstico.
• Outros Exames Complementares: dependendo das condições do paciente pode ser necessária a solicitação de eletrocardiograma, cultura de fezes, raio X de tórax entre outros exames. FASE AGUDA
· Ao ser utilizada plasmaferese (PE) em 05 sessões de troca plasmática de 50 ml/kg na população adulta com SGB, sem doenças pré-existentes, tem-se resultados semelhantes à terapia com imunoglobulina intravenosa (IVIg), 0,4 g/kg de imunoglobulina humana durante 05 dias.
· Não há diferenças estatísticas quanto aos resultados de cada terapia, tanto na melhora no grau de deficiência em 04 semanas e padrão de recuperação funcional, como no tempo para recuperação da marcha independente (média de dias para retomar a marcha sem apoio foi de 49 dias para os pacientes que realizaram de PE e 51 dias para os que foram tratados com IVIg).
· Em pacientes adultos com Síndrome de Guillain-Barré (SGB) considerados crônicos, com mais de três anos após quadro agudo inicial, e sem participar de atividade reabilitativa nos últimos 24 meses, foram comparados os resultados de programa de reabilitação de baixa e de alta intensidade. O programa de alta intensidade foi desenvolvido de modo individual após avaliação clínica, sendo composto por sessões de uma hora até 3 vezes por semana. Os atendimentos se distribuíram em 12 semanas, organizados em blocos de 30 minutos de Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Psicologia e Fonoaudiologia.
· Na Fisioterapia trabalhou-se fortalecimento, resistência muscular e treino de marcha, e na Terapia Ocupacional, buscou-se melhorar o desempenho nas AVDs, dirigir e trabalhar. Nos programas de baixa intensidade, foram desenvolvidos os atendimentos em domicílio com exercícios de manutenção (caminhadas e alongamento) e educação para o autocuidado em sessões de 30 minutos duas vezes por semana. Para analisar os resultados obtidos com esta intervenção foram utilizadas as seguintes escalas: MIF (Medida de independência Funcional), o “World Health Organization Quality of Life” (WHOQoL-BREF), DASS (Escala de Ansiedade, Depressão e Estresse), e o instrumento PIPP (Perfil da Percepção do Impacto do Problema)
· 80% do grupo de alta intensidade melhorou 3 pontos na MIF motora comparado a 8% dos indivíduos do programa de baixa intensidade.
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· Autocuidado e mobilidade, o grupo de tratamento com alta intensidade apresentou melhora em 54,8% e 41,9% respectivamente (versus 5,3% e 2,6% no grupo de baixa intensidade).
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· Não foi houve mudança significativa nos scores obtidos na aplicação do DASS, WHO-QoL e PIPP em ambos os grupos, exceto para a subescala de relacionamentos deste último instrumento.




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